quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Reflexão?

 

Os ciclos se iniciam e se findam. Os ciclos se repetem. A vida não para e novas e velhas lições me são postas a prova.

É difícil alcançar um equilíbrio entre a razão e a emoção. Ler, meditar, ouvir música, ter longos monólogos, mas creio que principalmente escrever, tem me ajudado a colocar as coisas no lugar.

As vezes acho que nada tenho para escrever, mas aí me pego tendo conversas tão interessantes comigo mesmo, que me vejo obrigado a digitar algumas palavras.

Ao longo de minha vida me chamaram de sábio algumas vezes, mas o que seria a sabedoria em si? Sou só um homem tolo, cheio de dúvidas, que passou a vida tendo respostas que levaram a mais perguntas, preso nesse ciclo de questionar e questionar, e me perder em mim mesmo, para me encontrar novamente de uma nova forma.

Tento me manter lógico e conciso com a realidade, mas não tenho como negar que meus sentimentos tem grande poder em minha existência, a ponto de me tirar dos eixos as vezes.

Não posso negar que me privei de sentir por um bom tempo, tentando de toda forma afogar o que quer que brotasse em meu coração, mas mais uma vez a vida vem me ensinar que esta é uma luta perdida. Quanto mais tento suprimir o que sinto, pior fico. Então conviver e aprender a lidar com essa contradição entre razão e emoção é o melhor caminho para alguém como eu.

Aceito que sou falho, sou humano, penso e sinto, e tentar trocar emoção por razão ou vice versa, só me fará me perder. Viver é uma coisa maravilhosa, mas em muitos momentos bem confusa. Sigo buscando o equilíbrio de meu eu, me equilibrando entre a lógica de meus pensamentos e o peso de minhas emoções.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Degredado

 


Sou um pária na sociedade. Em um mundo onde demonstrar é considerado ruim, eu me derramo e me entrego de corpo e alma.

Me chamam de emocionado, desesperado, dizem que sou fácil demais, que me entrego demais, que demonstro demais.

Deveria eu ser mais frio e calculista? Deveria fingir não me importar, deveria viver na angustia de não dizer o quanto me importo? Deveria não demonstrar que gosto? Fingir que sou uma máquina, que não há um coração pulsando neste peito?

Quem me dera, não ter me envolvido com a poesia em minha juventude. Quem me dera ser capaz de ser tão cínico a ponto de sentir e nada dizer, nada demonstrar a esse respeito. Quem me dera não ter nascido com um coração que dói e clama por amor e carinho. Quem me dera ser como os “normais”, que passam suas vidas almejando o tudo que existe nos sentimentos, sem os demonstrar nunca a ninguém. Quem me dera fosse capaz de ser desapegado e distante como o mundo exige de mim. Mas não sou. Nasci com um coração que pulsa sangue e não óleo de motor. Um coração que vibra e se emociona, e jorra palavras carregadas de sentimentos.

Não nasci máquina, sou feito de carne, ossos e sentimentos. Sou o amor, a luz e a compaixão que existem em mim. Não sei ser menos intenso, não sei não demonstrar, não sei não sentir. Ou eu sou algo, ou eu nada sou. Não sou meio termo, sou quente como o fogo, sou brasa de fogueira, sou a lava de um vulcão. Sou o fogo que crepita os sentimentos do mundo, do meu mundo. Sou a chama que aquece os corações alheios, sou a luz que ilumina as trevas nos corações aflitos. Eu sou meus sentimentos, eu sou meu coração e meu coração não sabe não sentir. Nele habitam a dor e o medo é verdade, mas também é nele que se encontra toda compaixão, todo amor, todas as paixões que senti e sentirei em minha tola, mas magnifica existência.

Sou um proscrita neste mundo, inundado de sentimentos que transbordam de minha alma. Eu sou o que sinto, e se demonstro é porque não sei ser menos do que eu mesmo. Tentei, eu juro, agir como o resto do mundo, frio, distante, desapegado de sentir. Mas tudo que consegui com isso, foi me perder e me martirizar, por anos a fio, com uma dor e uma sensação de vazio que me fizeram enlouquecer a ponto de me afundar tão profundamente em meu abismo que eu cai e não fui capaz de me levantar por muito tempo.

Se sentir for um pecado eu sou um condenado, pois tudo que há em mim neste momento são sentimentos, e eles transbordam, eles irrompem, eles me dilaceram as entranhas. Passei tempo demais tentando ser o que o mundo queria, e me perdi numa sociedade doente, carente de fazer o básico que é sentir.

Não me entregarei mais, me armarei com o que há de melhor em mim e partirei para esta guerra chamada vida, onde a sociedade estará contra mim, contra tudo que sou, contra os sentimentos que carrego e distribuo como alimento aos famintos. E que Deus me perdoe se eu estiver errado, mas seguirei com minhas convicções, pois não sei ser menos do que sou. Eu sou meus sentimentos, meus sentimentos são o que sou e se o mundo diz que isso é errado, já não quero mais fazer parte deste mundo.

Serei o farol que iluminara os corações daqueles que se escondem nas sombras de suas dores, de seus temores, de seu não demonstrar. Serei verdadeiro comigo mesmo e com o mundo, e se preciso for, me tornarei um mártir, pelos sentimentos que carrego comigo. A luta será intensa e talvez isso me destrua aos poucos, mas como já disse e repito, não sei ser menos do que sou, não sei deixar de demonstrar e se um dia o fizer, tenho a certeza que morrerei como ser humano e eu já estou cansado de ter de renascer de minhas próprias cinzas.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Unterricht

 


A vida é uma montanha russa, cheia de altos e baixos, com curvas sinuosas que podem te trazer fortes emoções.

Ciclos se iniciam e se findam de uma hora para outra. E a vida insiste em repetir suas lições, talvez para dizer ao indivíduo que essa espiral permanece, contínua e eterna.

Tristezas nos arrebatam e quase nos destroem mediante a força de suas garras, porem como me foi ensinado mais uma vez, os ciclos tem seus começos e seus fins.

A alegria pode brotar a qualquer instante, em qualquer lugar, quando menos se espera, mesmo na solidão de um indivíduo.

A vida é curta e passa rápido, mesmo que na maior parte do tempo pareça morosa e repetitiva, é esse cotidiano que define a história do ser.

Passei muitas vidas em busca de uma luz no fim do túnel, até que percebi que dependia de mim, ser minha própria luz. As vezes me esqueço dessa lição tão preciosa, e a vida como uma mãe amorosa, mas rígida, me mostra outra vez que nada é permanente, mas que os ciclos sempre podem se repetir, o que tende a mudar é a reação que se tem a esses fatos.

Aprendi também que por mais que o mundo dos outros possa parecer mais interessante ou emocionante, na realidade, estamos todos procurando por alguma luz em nosso caminho. As vezes surgem em nossas vidas, pessoas que agem como faróis, iluminando o caminho para que possamos sair de nossas próprias sombras, e as vezes somos nós quem precisamos ser o farol na vida de outrem. É prudente deixar claro, que não se pode afundar nas sombras alheias para salvar outro indivíduo, se faz necessário apontar o caminho, mas sem se perder na dor do outro, ou isso só o sobrecarregara.

Aqueles que iluminam tem de estar cientes, que toda luz produz sombras e é muito fácil se perder nas sombras criadas por sua própria luz. Não é fácil manter essa luz acessa, por vezes ela pode diminuir e quase se apagar, porém sempre restam algumas brasas para que se possa reacender.

Todos temos motivos pelos quais nos lamentar, e por mais bobo que possa parecer o motivo, não se deve ignorar o fato dele existir. Se faz necessário compreender o porque de tal dor e buscar soluções para melhorar a situação, porem se não houver solução, tem de se entender que não há motivo para se preocupar, pois o que resta é apenas seguir em frente.

Por fim, compreendi que a vida pode ser fantástica ou terrível em muitos momentos diferentes, mas o que realmente conta é como você lida com as circunstâncias, pois sua reação é o que verdadeiramente irá contar para como seguira seu rumo. A vida pode ser fantástica, pense positivo, seja agradecido e pare de reclamar das pequenas derrotas, pois são elas que te levarão as grandes vitórias.

sábado, 16 de dezembro de 2023

Liebe

 


As palavras ecoam em minha alma e se refletem em meu coração.

Elas vêm e vão, como o vento numa tarde quente de verão.

O amor está no ar e em mim. Mas na ânsia de amar sempre esqueço de ser eu mesmo.

As palavras ecoam em meu coração e se refletem na tela do computador.

Digito e digito, e as emoções transbordam sem fim.

Haveria no mundo forma mais bela do que a dela? Não importa, porque tudo que vejo, que penso, que sinto, se reflete naqueles olhos que me fazem delirar.

Eu a quero, a desejo, a almejo. A quero de corpo, alma e coração. Com seus defeitos e qualidades. Com todas as suas imperfeições.

As palavras ecoam em mim, dizendo insanidades de um amor platônico. Refletindo o amor que reside em mim, o amor que dedico a mulher que ganhou morada em meu coração, mas que não quer morar lá.

As palavras refletem no mundo, e ecoam de volta para mim. Vejo beleza e tristeza em poemas de amor e ilusão, vejo sonhos de alguém almejando o que reflete, vejo um poeta adorando uma musa que só existe em sua percepção.

Seria eu só mais um tolo, um poeta enamorado mais por seus poemas, por sua visão da musa, do que pela musa em si?

O amor reside em mim, e eu sou o amor, e sendo como sou, não posso deixar de amar o que me encanta. Seu olhar, seu sorriso, seu jeito de menina, tudo me fascina, tudo me encanta, tudo me prende a você.

O mal de ser poeta é sentir demais, mesmo quando não há nada para se sentir, mesmo quando tudo que existe é uma ilusão criada pela mente e pelo coração.

Lagrimas corem por meu rosto, as emoções são fortes demais para segurar. Não me sinto triste, mas aflito, como se minha vida dependesse de cada palavra que digito.

Clarisse disse: “Não se guarda as palavras, ou você as fala, as escreve ou elas te sufocam.”

E nesse momento eu me sinto sufocado, mesmo tendo dito o que precisava dizer, mesmo escrevendo o que meu coração insiste em sentir, mesmo dizendo o que minha mente consegue imaginar, as palavras ainda assim me sufocam. Buck tinha razão, o amor é um cão dos diabos.

Mesmo que tudo seja dor e ilusão, sigo, escrevendo e amando.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Espoir

 


A esperança é uma coisa engraçada, te leva as alturas, mas assim como Icaro, você pode acabar queimando suas asas ao chegar próximo demais do sol.

A esperança tende a andar de mãos dadas com paixões, trazendo aos corações enamorados alimento para essas ilusões que iluminam e machucam ao mesmo tempo.

A vida segue, cotidiana, monótona e carente de sentidos. Até que a esperança vem e da ao coração mais um impulso, mais combustível para essa coisa que insiste em me perturbar.

A esperança é como uma luz no fim do túnel, que traz à tona tudo que tentei jogar na escuridão de meu musculo pulsante. Pobre coração de poeta, tão fraco ao elã de ilusões amorosas, tão suscetível ao desejo por aqueles lábios.

Dizem que a esperança é verde, verde como os olhos da morena de sorriso fácil, que me ilude com seus corações pulsantes de emoji.

Cuidado com a esperança, ela é uma faca de dois gumes, te dá o impulso necessário para continuar desejando, mas quando acaba te dilacera o peito.

A esperança é contagiante, ela é linda e fantástica. A esperança me leva até ela, de novo e de novo, até o dia em que a alcance ou me queime no sol de meus sentimentos.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Papillon 2

 



Me perco nas curvas de seu sorriso, de menina moça.

Viajo, no verde dos seus olhos, que parecem sempre iluminar meu coração.

As palavras me atravessam e me desequilibram.

Morro de ciúmes do vento que pode tocar sua pele como não me é permitido.

Me prendi nos encantos de Papillon e não sei se quero me soltar.

Versos vem e vão, como as batidas desse coração enamorado.

O tempo para quando você não está por perto.

A vida tornou-se mais tediosa do que o normal quando não sou iluminado por seu sorriso.

É não há como negar, a paixão e o poema seguem juntos, as palavras pulsam com as batidas do meu coração.

Queria ter você em meus braços, como as palavras que não me deixam mais.

Queria poder toca-la como essas palavras me tocam.

Reaprendendo

 Aqui me encontro outra vez, tendo outra conversa constrangedora comigo mesmo.

Perdi a cabeça por esses dias, e tudo porque esqueci como me proteger de certos sentimentos.

A vida já me deu essas lições a muitos anos atrás, mas tolo como sou, esqueci o básico sobre mim mesmo.

Mudanças são necessárias é verdade, mas certas bases são indispensáveis para não abalar as estruturas. E por algum motivo eu deixei isso passar e me perdi em meus mais sinceros sentimentos.

A vida é um constante aprendizado, sim eu sei, mas essa situação deixa claro que reaprender ou revisar certas lições acaba por ser necessário.

O mais interessante nisto tudo é o fato de as palavras terem voltado, a muito que estavam presas em um canto qualquer de minha alma ou de meu coração, não sei. Mas dói sentir de novo, dói ter essa torrente caindo de minha mente através de meus dedos.

É engraçado pensar que passei tanto tempo tentando me proteger das dores do mundo, quando na verdade estava apenas me protegendo de mim mesmo, dos meus sentimentos e de minhas palavras.

Paixões, tenham êxito ou não, vem e vão, fazem parte da existência, mas sempre deixam pra trás seus rastros, nas lembranças ou nos poemas. Sinto-me um adolescente outra vez, quão tolo eu sou.

Espero recobrar o equilíbrio, e me reacostumar com a existência como ela é, plena de dores e medos, mas ainda assim bela, como o sorriso da mulher amada.