quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Wein

 

A necessidade de escrever parece se intensificar. Talvez o passar do tempo tenha criado uma represa que está transbordando com essa torrente, que vem cada vez mais forte em meu coração. Me sinto inquieto, frustrado, desconectado da realidade.

Não me concentro no trabalho e em casa me sinto frustrado e sem rumo.

Passo meus dias perdido em pensamentos, tentando amansar sentimentos que me acometem e me perturbam.

Ontem matei alguns sentimentos em meia garrafa de vinho chileno. O gosto amargo na boca ainda persiste, apesar de escovar os dentes. A culpa não é do vinho, mas do meu coração que insiste em doer e sofrer.

Talvez fosse mais fácil se me afogasse no vinho, mas no fim da garrafa sempre encontro meus demônios a me esperar.

Ontem pensei em muitas palavras de amor, mas não escrevi nenhuma, estava bêbado demais para conseguir digitar.

Agora escrevo e nada digo de verdade, pois o que precisava ser dito morreu ontem, afogado com meus sentimentos.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Papillon


 

O peito aperta, o coração palpita, a boca fica seca, e a mente vagueia por lembranças e imaginações de futuros irreais.

Afrodite me pegou de novo, me laçou e está me destruindo aos poucos. Uma vez mais Eros me acertou com uma de suas flechas.

 Me sinto inquieto, ansioso, temeroso. Não me concentro em nada.

Tudo que vem a minha mente são aqueles olhos verdes e aquele sorriso encantador.

Estou apaixonado outra vez, e dessa vez por Pappilon, que não sai de minha cabeça.

Sei que não passa de outra ilusão de minha mente, que é só algo platônico outra vez, mas está me consumindo de uma forma que não acontecia a muito tempo. Talvez o fato de eu ter me fechado para o amor por tanto tempo tenha me deixado vulnerável as borboletas no estomago.

Talvez esta torrente de palavras que me brotam dos dedos esteja me influenciando. A todo momento sou acometido por palavras de amor, por frases de desejo, por poemas idílicos, exaltando toda a beleza e sensualidade de uma mulher que não sai de meus pensamentos, e que achou morada em meu coração, sem me oferecer de volta tal gentileza.

Sinto-me entorpecido, fraco, minha mente vagueia sem rumo, meus pensamentos me levam aquele sorriso que me abala as estruturas e me domina, e tudo que posso fazer é escrever e escrever, sobre aqueles lábios que não vou provar, aquelas curvas que não vou tocar, aquelas tatuagens que se escondem por baixo de suas roupas que nunca verei.

“A paixão me pegou, tentei escapar não consegui, nas grades do meu coração, sem querer eu te prendi”

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Disruptivo


As palavras me invadem novamente, como se nunca tivessem deixado de estar ali. Sinto-me nostálgico e enjoado ao mesmo tempo. É como rever um velho lugar que um dia lhe foi tão comum, mas que você partiu deixando para trás, um passado fugaz.

O tempo é uma coisa engraçada ele não deixa de prosseguir, sempre em frente, como um navio a velas, mas ainda assim os ciclos parecem se repetir. Aqui estou mais uma vez inundado de sentimentos e palavras, que me escapam pelos dedos, fazendo comparações e dando exemplos como um professor do fundamental. Não entendo o que devo fazer com tudo isso novamente. As palavras vêm e vão quando querem, não as controlo, não as domino, não tenho mais a intimidade que tive com elas um dia. Somos como velhos amantes que se reveem depois de anos, tentando encontrar algo que nos conecte, que nós una e nós torne um só, como já fomos uma vez. Buck disse uma vez, que são poucos os sortudos que conseguem ter essa união e a manter. Pra maioria de nós, meros mortais, as palavras apenas vêm quando desejam, quando não cabem mais na mente e no coração.

Não sei o que quero dizer, se é que já houve algo a ser dito, só desejo escrever e escrever sem ter bem um por que ou um pra que. A muito tempo isto era motivo de felicidade, hoje já não me sinto mais a vontade comigo mesmo ou com as palavras que brotam de mim. Sinto-me distante dessa realidade, dessas pessoas e até de mim mesmo. Os ciclos se repetem. A queda vem, então há a retomada da caminhada do zero, do fundo do poço. Surgem novas pessoas em minha vida, e velhos rostos vem e vão. Paixões surgem e se despedaçam, se juntando a poeira do vento. E então elas aparecem, se acumulando em minha mente, perturbando minhas emoções, as velhas e tão conhecidas palavras aleatórias.

Não nego que há amor e até orgulho em velas outra vez, porém não me sinto como um poeta ou um escritor, não sinto que haja em mim a dadiva das palavras, me parece que elas apenas me usam como acham melhor, para depois irem embora para seus verdadeiros amantes. Talvez eu esteja apenas mais louco que o normal, talvez seja só um rompante sem sentido, de algo que estava por me afogar, mas que vazou por meus dedos. Talvez seja só outra ilusão de minha mente perturbada.

Um dia fui um garoto triste, com muitas dúvidas sem respostas, com muita dor, sem um porquê. Hoje sou um homem feito, que obteve algumas respostas que o levaram a mais dúvidas, a mais problemas, a mais ilusões, a mais palavras em um pedaço de papel. Me conheço melhor que antes, mas ainda assim me perco em mim mesmo, nas minhas palavras e nos meus sentimentos. Talvez um dia eu possa finalmente alcançar meu amago, compreender meus porquês, e acalmar meu coração, até lá prossigo escrevendo e divagando sobre minha tola existência.

30/11/2023 C.

domingo, 8 de outubro de 2017

Vazio...

Vazios...

Vazios são os sentimentos,
Vazios são os conceitos,
Vazias são as palavras.

Vazias são as pessoas,
Vazios são os lugares,
Vazio é o poeta.

Vazio está o Mundo.
Mas de que?

Os sentimentos mudam,
Os conceitos mudam,
As palavras não.

O que eu sou? Quem sou eu?

As pessoas mudam,
Os lugares mudam,
E o poeta, não?

No fim, as palavras mostram-se iguais.
No fim, prova-se que todo humano é mortal.
No fim, não há nada além do ponto final.
No fim, ecoa apenas o silêncio... Vazio.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Fluxo?

As palavras fluem, flexíveis.
As idéias surgem, sem limites.
O texto brota como árvore nova, como um novo começo. Mas então o fluxo para e me vejo perdido outra vez, sem saber como cheguei aqui ou porque aqui estou.
Ainda sinto-me entorpecido, embriagado, por minhas paixões de momento, mas no momento nada sinto. Contraditório, confuso e divergente, assim me sinto, perdido no fluxo de minhas divagações.

Num vagão de metrô

Em meio a multidão a solidão impera.
Nada importa, ninguém importa, ninguém se importa...
Ela esta só, em meio a um mundo que não a compreende. Esta só e cansada, tudo que deseja é chegar a seu destino sem ser perturbada, sem que ninguém a atormente.
Ela despreza os olhares que a fulminam com desejo. Ela é bela e triste e eu a desejo.
Cobiço não só seu corpo, mas sua alma e seu mundo.
O que se passa nessa mente e nesse coração?
Haveria tanta beleza por dentro quanto há por fora? Haveria tanta tristeza em seu âmago, que acaba por se refletir em seu semblante?
As questões ficam no ar, assim como minha cobiça e meus desejos, pois no fim eu a deixo em sua solidão enquanto me perco na minha própria.

Reflexão

O tempo passou. E o que há de novo para se dizer? Nada...
As palavras continuam tentando sair. As ideias e conceitos continuam a surgir. Mas o que querem dizer? O que quero dizer?

Entorpecido de sentimentos, tento expressar qualquer coisa que esteja em minha alma, mas tudo parece já ter sido dito ou o tudo que ainda há para se dizer se recusa a ser coerente. Conivente com minhas dúvidas, meus medos me atormentam e eu me perco mais uma vez em mim mesmo, na tola tentativa de ser algo mais, algo melhor, alguém melhor...

Onde foi parar aquele "eu" , que sabia expressar seus sentimentos em palavras. Se perdeu, se escondeu, morreu em mim?
Ou será, por um acaso do destino, que foram os sentimentos que deixaram de existir?
Tantas dúvidas, tantos medos, tanta falta de sentimentos.
Sinto-me cheio desse mundo por estar vazio de mim mesmo.
04/10/2017